Paginas de arquivo 2

11
Jun
08

cãozinho verde de cauda comprida e sorriso rasgado

Devo explicar que o recente lapso na publicação de posts se deve a uma razão: eu sou, por formação, um Genérico. É por isso que, depois de ter escapado vivo da morgue de San António, onde, descobri, mais tarde, se traficavam orgãos e membros humanos para realizar efeitos especiais de filmes mexicanos, independentes e de baixo orçamento (cf. Robert Rodriguez), me vi obrigado a interromper a preparação de um PowerPoint sobre como reciclar os cerca de 6.000 satélites artificiais lançados desde 1957 para a atmosfera, aceitando o convite da FUNAI para subir a “grande serpente” e contactar a tribo que José Carlos Meirelles Júnior, fotografou do ar, em 29 de Maio de 2008, no Estado do Acre, junto à fronteira com o Perú. Acontece que, por uma questão de manter o seu protagonismo, esse senhor aconselhou-me um guia local que não foi suficientemente convincente, ao desenhar-me um cãozinho verde, de cauda comprida e sorriso rasgado, tendo eu acordado sem metade da minha perna esquerda, no dia seguinte a um monumental rodízio na selva, ao luar, na margem do Amazonas, na véspera de encontrar a agulha no palheiro, que neste caso é o mesmo que dizer Índios e palhotas.

 

 

02
Jun
08

Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band

Não sei se há registros de fezes espaciais cairem nas cabeças da população mundial, mas todo cuidado é pouco, já que há notícias da existência de sucata espacial. Esta é uma explicação que eu já devia ter dado, a outra é que, por lapso, no post anterior surgiu um título alusivo ao 31 anos do álbum Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band  (1/06/1967) e uma imagem de um mural psicadélico, onde se destacam os Beatles, que em nada se relaciona com a autópsia ao bom estilo JFK, comentada no artigo. O título foi alterado e a imagem substituída por uma fotografia de um sexagenário com umas boas coxas.

 

Murall em NYC perto do Blue Note 

01
Jun
08

a autópsia

“Se isto é uma autópsia, não devia estar aqui um corpo, doutor?”, perguntei ao homenzinho de olhos esbugalhados que agora tirava uma esferográfica de entre um monte colorido das que exibia no bolso esquerdo, do peito, da bata desabotoada, preparando-se para escrever nos papeis espalhados na bancada de aço.

“Assine aqui”, disse, quase sussurrando, apontando para uma pequena cruz, que acabara de fazer. A mão tremia-lhe e o suor escorria-lhe pela testa colando os cabelos grisalhos e realçando a barba por desfazer sobre a pele pálida. Desviei, momentaneamente, o olhar na direcção do óculo de vidro da porta que dava para o corredor. As duas silhuetas, paradas, por detrás da porta, não me eram estranhas. Não posso perder mais tempo. Reparo na fotografia agrafada ao cabeçalho dos papéis. É o Halibut! Isto é uma armadilha. “Quanto lhe pagaram, doutor?” perguntei baixo, tentando conter a raiva. “Eu dobro”, tirei 300 dólares do bolso e saí rápido pelas traseiras.

Entro numa viela estreita e nauseabunda e desloco-me patinhando rápido, entre sacos plásticos pretos e restos  de madeira putrefacta de caixões, para longe da morgue. Uma mão agarra-me firme a gabardine pela gola e atira-me para dentro de uma loja,. Bato com a cabeça no chão. Desmaio.

 

 


31
Mai
08

O’Malleys Bar

Está um calor insuportável, o ar-condicionado saí de uma lata ferrugenta que não arrefece nem uma garrafa de Coca-Cola. Debruço-me no parapeito da varanda e conto as pingas de suor que me escorrem pelo nariz e caem num monte de jornais. Observo os neons da vizinhança: Cactus Sandwich, Gringo Nights, Cheap Piazza...

Sirenes! A bófia vem para esta zona. Sofro de Homicide Effect Síndrome, crónico, saltei da varanda e corri na direcção do alarido, até ao O´Mailleys Bar. O dono do Bar, disseram-me, era um emigrante irlandês, casado, tinha uma filha Siobhan, especialista em tirar as melhores cervejas de San António, Texas, USA. O´Mailley não podia adivinhar que um rapaz alto, magro e bem parecido desatasse aos tiros e à navalhada, matando, esquartejando e decapitando, brutalmente, todos os que entraram naquela coreografia sangrenta: Miss e Mr. Holmes, Mr. Brookes, Vincent West um homem gordo, Jerry Bellows, Henry Davenport e Kathleen Carpenter, recentemente divorciada.

A única testemunha foi Nick Cave, um cantor australiano, de passagem, que combinou com seu amigo  Shane MacGowan, um irlandês, encontrar-se para beberem umas Guinness. Enquanto esperava, Nick, foi ao WC para se chutar com heroína. A droga salvou-lhe a vida. Nick daria o seu testemunho em Tribunal tocando uma canção.  (Sessão 1  Sessão 2  e Depoimento Final)     

 

 



30
Mai
08

Are You Lonesome Tonight

Sinto os lábios secos ao tocar nos dois Vicodin que engulo de uma assentada só com um café duplo, quase frio, servido por um empregado de T-Shirt, que já foi branca, onde está escrito Bad Mother Fucker. Sem cerimónias, deixei o dinheiro certo na mesa e saí do Chiquita Banana. Faz hoje cinco dias que estou nesta terra, algures no meio do deserto, por conselho médico e ontem Corazón deu-me um tratamento especial, que me fez esquecer as ensaladas os tacos e os burritos. Tudo começou no Can Can de Bois e acabou no Disco Inferno.

Tenho numa mão um charuto hecho a la mano em República Dominicana e na outra um cartão de visita da firma “Anderson The Secret Service” em Queer Street. Mas antes vou encontrar-me com Halibut, um hacker albino e de pele gordurenta que servirá de intermediário com o dono da firma, Keizer de Sousa, inventor do zupagargonizer um instrumento de tortura, de linha branca, muito utilizado em Guantánamo.

Sento-me na pick-up, ligo o rádio. Começa a chover. Elvis está ao meu lado.

 

Are You Lonesome Tonight
do you miss me tonight
Are you sorry we drifted apart
Does your memory stray to a bright sunny day
When I kissed you and called you sweetheart
Do the chairs in your parlor seem empty and bare
Do you gaze at your doorstep and picture me there
Is your heart filled with pain, shall I come back again
Tell me dear, are you lonesome tonight

 

 

 

 

 

ELVIS por TURCIOS

29
Mai
08

Se llama Elvis

O espelho do meu quarto está partido em dois e pelo meio alguém escreveu Broken Ghost. O dono do Motel era um tal de Charles S, que enlouqueceu a pensar que era um polícia do Diabo. Desde então o Motel ficou entregue a Corazón, uma mexicana, e a uma africana que fugiu ao ébola e que ajuda na cozinha, apesar de invariavelmente se comerem burritos. Há, também, a Mary Jane uma sexagenária que quase nunca sai do quanto e só dou pela sua presença quando a ouço gritar “they´re coming take me away”. No dia de partir Corazón quis que eu trouxesse o gato. “Como se chama?”, perguntei ao sair. “Elvis, Se llama Elvis.”

29
Mai
08

O medo de um Planeta Punk

Agora não, que eu estou com uma dor de cabeça, mas talvez depois dos trágicos pensamentos que me atemorizam o espirito e me causam insónias vos possa explicar como me envolvi, quixotescamente, em sabotar o site do Potato Press, que publicou notícias alarmantes sobre a era pós-nuclear e as manchas de nicotina. 

Marquei uma biópsia com caracter de urgência no Docteur Atomic, um tipo porreiro, que tanto trata um conformista moderno como um megalómanos XXL ou governantes corruptos. “Lapso de memória” – disse ele. “Quinze dias de isolamento no Coral Essex Hotel e isso passa” – concluíu mastigando o pedaço de carne que me tirara da tiróide – “isso passa…”

Não tenho dinheiro para ir para o Essex. Fico num Motel foleiro, a meio do deserto, à beira da estrada e com o nome a condizer com o que me vai na mioleira Fuck You Las Vegas