Pela segunda vez fiz parte do Júri do Encontro de Estátuas Vivas, que já vai na sua XII edição, anual, pelo que, suponho, que entretanto, algumas tenham morrido ou atingido o Nirvana. Basicamente, existem 4 tipos de “estátuas”, a saber: os “The Flintstones” ou “Ramblas”, que procuram recriar na perfeição o modelo clássico, de pedra ou de metal, com mais ou menos patine, pedestral e recorrem a técnicas de imobilismo capazes, mesmo, de atrair pombos; o Grupo de Teatro, que embora se inspirem em modelos clássicos, não resistem aos figurinos e slogans de intervenção, sofrem de varizes e, por isso mesmo, de vez em quando soltam grandes gestos dramáticos de espantalho; os ”Performers”, ou Imobilismo Crítico, que optam por uma alternativa entre um gajo parado tás a ver, um ou dois minutos, e a dança, uma coceira que reage ao tilintar de Euros; os NABOA, que procuram uma posição cómoda, de preferência deitada, de barriga para baixo, tomam um Xanax e deixam o tempo passar.
Classificar e premiar esta gente é fácil.
Difícil, foi constactar que, na verdade, quem merecia ser premiado, não era nenhuma das “estátuas”, mas o trio que estava no público a assistir à entrega dos prémios. Não sei quem são, mas juro que esta imagem me vai perseguir, até morrer. Há lá mais expressão plástica, imobilismo e originalidade?

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